UM PLANO DE TRABALHO PARA A VIDA TODA

UM PLANO DE TRABALHO PARA A VIDA TODA

Pessoal;

Outro dia, recebi uma imagem em diagrama através do whatsapp com o título “Plano De Trabalho Para a Vida Toda”. A imagem em questão é esta:

Comecei a ler e a refletir sobre cada um dos dez itens aqui destacados e quanto vários deles (senão todos) estão escassos nas organizações, nos seios familiares, nos meios sociais, enfim, em várias facetas da vida do Ser Humano, em especial, aqueles que nasceram, foram educados e vivem aqui pela nação Tupiniquim.

Por isso, gostaria de discorrer um pouco sobre cada um destes itens citados na imagem. Vamos a eles:

01 “Faça o que é certo, não o que é fácil. O nome disso é Ética”

Vivemos tempos difíceis no que diz respeito a esta “palavrinha mágica” – ética. Estamos presenciando uma crise de valores como nunca antes vista em nossa sociedade. O desrespeito ao outro, a falta de escrúpulos, a disposição para levar vantagem em tudo e a qualquer custo são atitudes que, como um

câncer, tem corroído e distorcido convenções e conceitos milenares. Cabem aqui as perguntas: Que tipo de mundo queremos deixar por herança? Como queremos que os indivíduos que serão nossos descendentes atuem neste mundo? Basta olharmos para o lado (direita ou esquerda – tanto faz) para visualizarmos diversas situações, já tidas como “normais”, mas que certamente tem um ”quê” de prejuízo ou desrespeito a outrem. Condenamos os políticos, mas muitas vezes nos comportamos de forma igual ou pior. Exigimos todos os nossos direitos das organizações que nos empregam, dos gestores públicos que elegemos (há de se ressaltar que a reivindicação pelos próprios direitos é, inegavelmente, legítima), mas na hora de fornecermos o resultado do nosso cunho pessoal não dispomos da mesma energia. Muitas vezes tomamos decisões e assumimos atitudes, no mínimo, questionáveis. Ao abdicar de pedir uma nota fiscal, ao comprar um produto de procedência duvidosa (ou sabidamente, pirata), ao comprarmos aquele aparelhinho que libera todos os canais fechados “de graça”, quando não respeitamos o lugar na fila, quando desrespeitamos o negro e a mulher, quando utilizamos o tempo pelo qual somos remunerados para resolver assuntos pessoais… São apenas alguns exemplos de vícios que a maioria não vê com gravidade, mas que não deixam de ser a base de todas as corrupções. Quem entende que estas “pequenas peculiaridades culturais do brasileiro” são aceitáveis, pode bradar em alto e bom som contra os corruptos e contra a corrupção com um mínimo de legitimidade? Na dúvida, melhor avaliar bem a situação e seguir a premissa: “O certo é o certo; mesmo que ninguém o esteja fazendo; o errado é errado, mesmo que todos o estejam fazendo”;

02 “Para realizar coisas grandes, comece pequeno. O nome disso é Planejamento”

Eis aí algo que tem causado muitos transtornos psicossociais e psicossomáticos nesta atualidade de velocidade digital e que despreza tudo o que não tem a velocidade medida em gigabytes. De repente, alguém mais detalhista e metódico passou a ser estereotipado como alguém que é “lerdo” e desconectado com os novos tempos. Esquecem que para ter o pão à mesa é preciso plantar o trigo. E fazer a colheita, transformá-lo em farinha para finalmente assar o pão. A maioria só vivencia o ato de comprá-lo em uma casa comercial sem refletir de onde veio e de quanto trabalho foi necessário até a conclusão do produto acabado. O mesmo comportamento está presente nas organizações quando vemos a falta de paciência aliada à arrogância criando expectativas de carreiras meteóricas que, na maioria das vezes não acontece. E não acontece porque não há gigabyte capaz de acelerar o amadurecimento de alguém e não há construção de conhecimento sem dedicação, esforço, resultados e tempo. O planejamento de uma carreira, o desenvolvimento de um projeto, de um produto requerem planejamentos longos e muitos ajustes ao longo do processo. Todo planejamento tem início, meio e fim, mas

certamente o tempo não cabe em alguns meses, principalmente, nas situações complexas (como por exemplo, a carreira).

03 “Aprenda a dizer “não”. O nome disso é Foco”

Prima-irmã da pressa é a falta de foco. Qualquer tipo de planejamento requer a execução de etapas básicas que precisam ser cumpridas, mesmo que ocorram ajustes, dentro de um determinado tempo. Uma grande armadilha a qualquer planejamento é a incapacidade de dizer “não”, pois a negativa pode passar uma impressão de inflexibilidade e, em alguns casos, de falta de sensibilidade e falta de visão de processo. Ora, se a cada momento temos de inserir novos elementos a um planejamento cujas etapas de execução já estão em andamento, como faremos para cumprir os cronogramas estabelecidos? Como poderemos nos comprometer com um prazo para entrega de um resultado?

Trazendo para o seio familiar, dizer não hoje pode significar um “investimento” num resultado melhor na educação das pessoas pelas quais nos tornamos responsáveis e a menor ocorrências de “investimentos” em “correções desagradáveis”. Nestes tempos modernos, parece que utilizar a palavra “não” e tentar exercer o cumprimento de uma agenda mínima parecem atitudes reprováveis a ponto de terem se tornado “pecados capitais”. Precisamos olhar mais para sociedades que tiveram mais sucesso do que a nossa. Em algumas delas perceberemos que “organização, concentração e disciplina” formam um tripé de sustentação para todo o processo de gestão, quer organizacional ou familiar. E para que tal tripé se mantenha firme, será necessário manter o foco e dizer alguns “nãos” ao longo do tempo.

04 “Parou de ventar? Comece a remar. O nome disso é Garra”

Mais um aspecto da vida moderna que está em franca desvalorização pela alta demanda de decisões e execuções velozes. Na maioria dos planejamentos montados na esteira das altíssimas velocidades das “webtecnologias”, falta algo crucial para situações inesperadas: “O Plano B”. Qualquer plano alternativo exigirá algo mais de quem está perseguindo um objetivo e é este “algo mais” que é tratado aqui como “garra”, provavelmente, como um termo emprestado dos esportes coletivos. Se, por exemplo, tivermos dificuldades na busca de uma formação teremos de entrar com horas a mais de estudo, talvez avaliar o método de estudo, quem sabe até repetir alguma etapa para que o planejamento integral seja cumprido, mesmo que ocorra prejuízo ao cronograma inicialmente estabelecido. A vida laboral nas organizações modernas costuma condenar a correção de rumos nos atuais modelos de gestão, mas a falta de um “Plano B” tem sido o motivo de muitas frustrações e até de fracasso de pessoas e organizações. Ter “garra” é

bem mais do que um clichê. É, na essência, a busca persistente dos objetivos e a capacidade de transpor todos os obstáculos que se oponham a este objetivo, jamais se abdicando de usar caminhos alternativos, desde que honestos, para tanto.

05 “Não tenha medo de errar, nem de rir dos seus erros. O nome disso é Criatividade”

Há um velho ditado que diz: “Errar é do humano, mas persistir no erro é…”. Toda a jornada pessoal ou profissional está sujeito a erros. Cabe ao equivocado utilizar o erro como uma lição aprendida para não tornar a cometê-lo de forma idêntica. Saber se reinventar e corrigir rumos faz parte de todo o ser criativo. E a criatividade é uma habilidade exclusiva dos humanos.



06 “Sua melhor desculpa não pode ser mais forte que o seu desejo. O nome disso é Vontade”

Um objetivo de vida, uma meta organizacional, uma conquista material ou espiritual é motorizada pela vontade do demandante. Permitir que eventuais dificuldades sejam enfraquecedores da vontade de atingir os objetivos é o caminho já pavimentado para o fracasso. A vontade é a mola mestra que impulsiona o indivíduo para frente. Melhor não se esconder atrás de desculpas.

07 “Não basta iniciativa. É preciso ter “acabativa”. O nome disso é Efetividade”

É preciso entender que todo trabalho, todo objetivo de vida, toda inovação proposta, seja lá o que for que estivermos envolvidos em iniciar precisa ser gerida através de um processo bem elaborado, controlado, acompanhado e…concluído! O mundo, as famílias e as organizações estão cheios de exemplos de boas iniciativas que não levaram a lugar nenhum, muitas vezes, por falta de continuidade e conclusão. Deixar a marca pessoal de cada um de nós nas diversas facetas da vida requer empenho em iniciar e terminar as coisas.

08 “Se você acha que o tempo voa trate de ser o piloto. O nome disso é Produtividade”

Ora, a cada dia temos uma conta temporal com 86.400 segundos disponíveis. A maneira como utilizaremos este tempo pode ser influenciado por compromissos rotineiros (ex. trabalho), mas sempre haverá parte dele que será de decisão exclusiva do indivíduo. Mesmo aquele atrelado aos compromissos, como trabalho e estudo, tem uma certa dose de decisão pessoal. A verdade é que a forma como utilizamos o nosso tempo para trabalhar e estudar, para se dedicar a família, para o lazer ou para cuidar da saúde tem grande influência de como fazemos a nossa gestão pessoal do tempo. Utilizar o tempo de forma inteligente é o segredo para sermos produtivos.

09 “Desafie-se um pouco mais a cada dia. O nome disso é Superação”

A acomodação é irmã gêmea da mediocridade. A pior atitude é aquela em que “se o time está ganhando, não mexa”! Principalmente nos meios empresariais ocorrem situações em que talentos já maduros acomodam-se enquanto novos talentos aplicam-se deixando poeira para trás. Quando o acomodado se dá conta já é tarde demais. Questionar-se a cada dia, não se esconder dos desafios, manter-se aberto para aprender coisas novas todos os dias são componentes da melhor estratégia para manter a “máquina sempre azeitada” e estar preparado para superar-se continuamente.

10 “Para todo “game over” há um “play again”. O nome disso é Vida”

Recomeçar é privilégio daqueles que não enxergam um fracasso como algo definitivo. Mesmo que não seja um fracasso, uma situação circunstancial pode colocar “por terra” projetos, sonhos, metas. Nesta hora, o melhor é “levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima”, pois a vida continua. No giro do PDCA, o “A” também tem o significado de “atuar corretivamente”, ou seja, se nada der certo vamos voltar à prancheta!

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